Certo & Errado pra vida: não vamos ser bobas

Eu não imaginava que neste blog seria possível discutir temas muito muito atuais – porque, né, não é um portal e não tem redação, sou euzinha mesmo nas horas vagas (que não são tantas assim). Mas mevi impelida a escrever sobre um tema “da hora”: fotos de Preta Gil para a C&A.

(Para quem não acompanhou: Preta Gil é garota propaganda da coleção “Special For You”, da C&A, direcionada a mulheres plus size gordinhas, que vestem manequim do 46 ao 56. Só que a ~galera~ da C&A pesou na mão no Photoshop e a moça ficou torta em uma das fotos)

Isso sem falar que deram uma forte branqueada na moça, né.

Pois então, eu queria falar sobre isso.

Eu sou magra, sempre fui. Não são poucas as pessoas que comentam o quanto eu devo ser feliz por ser magra, por poder comer de tudo, que ser magra como eu era tudo o que elas queriam na vida. Mas apesar disso, de tantos elogios à minha boa forma, eu não me sinto essa modelete toda. E é sobre isso que eu quero falar.

A moda, enquanto sistema, opera para nos deixar desconfortáveis com o nosso corpo. Isso soa meio conspiracionista, mas eu não sei como redigir de outra forma. O que sei é: não importa se você tem um corpo mais parecido com o de Preta Gil ou mais parecido com o meu. De qualquer forma, você vai se sentir mal com o seu corpo.

Os retoques em editores de imagem me parecem um requinte de crueldade, digamos assim, nessa história toda. Porque, sem os retoques, nem Preta Gil se parece com ela mesma (aliás, sorte dela, né, que não tem um ombro mais fino que o outro). A modelo da revista não existe. Mas é com ela que queremos nos parecer.

Esse texto não tem conclusão. Ou tem, sei lá. Vamos pensar nisso. Nos divertir com o ato de vestir, fazer disso um momento de celebração de quem somos. Ou, pelo menos, não vamos ser bobas.