Cansei de Ser Básica agora é Justa Moda

post-ativacaoModa e Justiça são duas palavras que eu não imaginaria ver de mãos dadas. Seja porque eu não via nenhuma relação entre elas; seja porque eu as via como opostas. Sim, a moda é injusta: oprime as mulheres, promove um ideal de beleza inatingível, estimula o consumo irresponsável.

Quanto mais eu remexia na danada da Moda, mais injustiças eu via. O problema não estava apenas no consumo, mas também na extração da matéria prima e no descarte – ou seja, tava tudo errado em toda a cadeia produtiva. O jeito era andar pelada?

Mas, de olho na utopia, não parei de caminhar. Foi meio que sem querer: aqui e ali, soluções começaram a aparecer. Gente que estimulava mais criatividade e menos consumo; gente que cria a partir de resíduo têxtil; gente feliz porque tem 30 peças no guarda-roupa. Soluções da indústria, militantes pelo fim do trabalho escravo na moda: gente que ama a moda, e quer vê-la trabalhando por um mundo melhor.

Involuntariamente, entrei nessa seara. Como consultora de estilo, disse a cada uma das minhas clientes: você não precisa comprar mais! Aprendi a costurar – e ensinei a outras mulheres o básico do manejo da máquina de costura. Montei um Ateliê para falar que comprar de quem faz é melhor do que comprar da China. Como jornalista, assumi a tarefa de levar mais informação sobre moda onde quer que eu estivesse. Tornei-me representante do Fashion Revolution na minha cidade. E passei a acreditar na moda como força para um mundo melhor.

E eis que chegou a hora de unificar essas ações. Demos aquela olhada para o horizonte e escolhemos o nome Justa Moda. Mais do que uma moda sustentável e consciente (palavras muitas vezes usadas como rótulos que autorizam as marcas a cobrar mais), queremos uma moda justa Para quem consome, para quem faz e para quem vive os efeitos dessa produção.